"Ainda que fôssemos surdos e mudos como uma pedra, a nossa própria passividade seria uma forma de ação" Jean-Paul Sartre
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
O mito de Édipo
Filho de Laio e de Jocasta, herdeiro da maldição que assolava os Labdácias, foi abandonado ao nascer no Monte Citerão, já que Apolo havia predito a seu pai que se ele gerasse um filho, este o mataria. O criado, encarregado de executar essa missão perfurou-lhe os pés com um gancho de forma a poder suspender o menino numa árvore. Isso explica o fato pelo qual, ao ser encontrado por alguns pastores, foi chamado Édipo, que em grego significa “pés inchados”. Foi levado ao rei de Corinto, Pólibo, que, por não ter filhos, embora fosse casado com a rainha Peribéia,o adotou. Em certa ocasião, o jovem participava de um banquete, quando um coríntio referiu-se indiscretamente ao jovem como filho postiço. Intrigado, Édipo resolveu consultar o oráculo de Delfos para saber sua real origem. Além de não obter uma resposta precisa, o jovem se defrontou com uma revelação aterrorizante.......
A resposta que Édipo recebeu é que, não somente mataria seu pai, mas desposaria sua própria mãe, gerando uma raça maldita. No intuito de evitar uma tragédia, desesperado resolveu fugir de Corinto, deixando para trás Pólibo e Peribéia, quem de fato acreditava serem seus pais verdadeiros. À caminho da Fócida, onde os caminhos de Cáulis e Tebas se bifurcam, o pobre rapaz se deparou com Laio e sua escolta, composta por quatro pessoas além do rei: o arauto, um cocheiro e mais dois escravos. Este, cheio de impáfia, ordenou-lhe que desse passagem ao rei de Tebas. Como Édipo se recusasse sequer a alterar o passo, teve um de seus cavalos executados pelo rei. Ignorando a verdadeira identidade do rei, Édipo com o auxílio de sua arma, a bengala que o amparava no caminhar, e com grande violência, matou a golpes Laio.
Chegando à Tebas, deparou com a Esfinge, monstro que vinha assolando a cidade há tempos. Descendente de uma família de monstros, sua mãe, Equidna, corpo de mulher e cauda de serpente que devorava todos os viajantes que dela se aproximassem. Ortro uniu-se a própria mãe, e dessa forma, tornou-se ao mesmo tempo pai e irmão da Esfinge. Esta havia sido enviada por Hera à cidade de Tebas para punir o rei Laio, responsável pelo suicídio de Crísipo, filho de Pélops. Misto de vários animais, a Esfinge tinha a cabeça e o busto de mulher, as patas de leão, o corpo de cão, cauda de dragão e asas como as das Hárpias.
Instalada à entrada da cidade, mais precisamente no Monte Ficeu, propunha aos forasteiros que ali chegavam um enigma de grande complexidade e de difícil resolução. Os que não fossem capazes de decifrá-lo eram sumariamente eliminados, pois a criatura além de matar, devorava sua vítima. O monstro já havia feito muitas vítimas e os habitantes estavam alarmados quando Édipo, buscando exílio, chegou à Tebas. Ao enfrentá-la, foi recebido com a seguinte pergunta: “Qual é o animal que pela manhã tem quatro pés, ao meio dia dois e à tarde três?” Édipo sem dificuldade respondeu que este animal era o homem, que na infância engatinha, depois passa a caminhar com os dois pés e na velhice, com o peso dos anos, necessita de uma bengala, ou seja, de uma terceira perna para se sustentar. Como já estava previsto pelo destino que no dia que alguém lograsse decifrar seu enigma a Esfinge morreria, esta, precipitou-se do alto de um precipício e morreu espatifada contra os rochedos.
Aclamado pela população agradecida, tornou-se rei, e, por conseguinte, recebeu também a mão da rainha Jocasta em casamento. Em outras palavras, Édipo cumpriu a segunda e última parte da profecia, pois ao casar-se com a rainha, desposava na verdade, sua própria mãe. Quatro filhos foram gerados desta união: Etéocles, Polinice, Antígona e Ismena. O rei de Tebas reinou durante anos tranqüilamente até o dia em que a população local começou a ser assolada por uma peste. O oráculo, novamente consultado, declarou que para cessar a epidemia, se fazia necessário encontrar o assassino de Laio e baní-lo definitivamente de Tebas.
Tirésias, o grande vidente cego, trazido até a corte revelou a verdade sobre o crime e esclareceu a identidade e a história de Édipo. Jocasta, humilhada e sem poder suportar a vergonha, suicidou-se. Édipo, ao lado do corpo de sua mãe, vazou seus olhos. Expulso da cidade por Etéocles e Polinice, partiu para o exílio acompanhado por Antígona que o guiou até a Ática, onde foi acolhido por Teseu .
Tempos depois, seus filhos e Creonte, irmão de Jocasta, tentaram convencê-lo de regressar à Tebas, pois um oráculo havia predito que onde estivesse localizada sua tumba, os deuses dedicariam especial proteção. Inútil, porque Édipo,recusou-se terminantemente a realizar-lhes o desejo e viveu seus últimos dias em Colona, localidade situada próximo à Atenas. Foi por esse motivo que a cidade sempre logrou sair vitoriosa nas disputas contra Tebas.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Plantão Psicológico - UNIP ( Bauru)

Local: Clínica de atendimento Psicológico UNIP.
Av. Nossa senhora de Fátima, 9-50. Bauru
Tel. (14) 3223 7710
Horário de atendimento: Atendimento por ordem de chegada
Ás Terças feiras: das 17h00 as 21h00 Horas.
Ás quartas feiras: das 18:00 as 21:00 Horas.
O que é o plantão Psicológico (Acolhimento).
O plantão psicológico é destinado às pessoas que buscam um atendimento de apoio emergencial, em situações de crise que tire o equilíbrio momentâneo e necessitam de uma ação interventiva imediata. Para tanto se disponibiliza um local adequado com horário fixo para que a população possa ter acesso ao serviço. O plantão psicológico é um atendimento que pode acontecer em um único encontro ou com mais algumas sessões de retorno, no máximo três.
Método: abordagem fenomenológica existencial.
A Psicologia Humanista fundamenta-se nos pressupostos da Fenomenologia e Filosofia Existencial; que é focada na intersubjetividade das relações e enfatiza a condição de liberdade contra a pretensão determinista. Visa à compreensão e o bem-estar da pessoa não o controle. Segundo esta concepção, a psicologia não seria a ciência do comportamento, seria a ciência da pessoa na sua inter-relação com o mundo e consigo mesma. É um método filosófico que se propõe apreender aquilo que acontece no momento imediato, sem intermédio de teorias ou explicações que afastem o Homem de sua vivência. O interesse fenomenológico não está na busca de uma lei geral e absoluta que explique o mundo e o Homem, mas sim na maneira como o mundo se dá para cada ser humano que o percebe a partir da trama significativa de acontecimentos que compõe sua história de vida.
Encaminhamento:
Para que o encaminhamento aconteça satisfatoriamente é preciso que muitas questões sejam detalhadamente observadas. O sentido de o termo encaminhar nos plantões é o de colocar o cliente em atendimentos ou atividades adequadas, que possam promover desenvolvimento, solucionar ou amenizar suas dores ou dificuldades imediatas. O plantonista, baseado em seu conhecimento teórico e prático, sabe que tipo de tratamento o cliente necessita, sugerindo a atividade adequada, que poderá ser psicoterapia, orientação vocacional e profissional, cursos, ou mesmo a utilização de serviços de outros profissionais ou públicos.
Plantão Psicológico
Porque a vida acontece agora.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Cisne Negro: Uma aula cinematográfica de Psicologia Junguiana

A sombra... elemento fantasmático, região do espaço cuja penumbra é provocada quando a luz é impedida de fluir por um objeto... a sombra possui os contornos do mesmo objeto, sendo sua projeção negativa, inevitavelmente ligada a ele...
Na psicologia junguiana, a sombra é a representação arquetípica de tudo o que temos, potenciais bons e maus, que não reconhecemos como sendo nosso, mas que nos segue onde quer que vamos e que geralmente projetamos em outras pessoas... Carl Gustav Jung (1875-1961) criou alguns dos conceitos de psicologia mais populares (apesar da resistência dos freudianos).
Conceitos como“complexos” , indivíduos “introvertidos” e“extrovertidos” e“inconsciente coletivo” são de sua lavra. Ele também propôs que o comportamento humano possui linhas de reconhecimento universal e que são transcritas, metaforicamente, nos mitos e contos detodo o mundo, independente de tempo e cultura. A tendência do desenvolvimento de capacidades, dificuldades ou a possibilidade de uma clivagem polar que todos temos (bem e mal, sapiência e demência, etc.) são expressas figuradamente em histórias folclóricas,mitos, sagas religiosas e contos de fada.
Na história de“O Lago dos Cisnes” , que foi musicada e, assim, imortalizada pelo compositor russo Tchaikovsky (1840-1893), vemos essa polaridade na presençade Odette, a ingênua e romântica princesa que é transformada em um cisne branco, e Odile, sua irmã gêmea, a maliciosa, sedutora e malvada rainha dos cisnes, e que é o cisne negro. Uma e outra personagem são metáforas das polaridades internas extremas e dos potenciais que todos possuímos, mas que, aqui, se inserem mais na questão do desenvolvimento da psique feminina.
A menina sonhadora que desperta para o desejo, à competitividade, ao processo de enfrentar desafios. Quanto mais conscientemente uma dessas polaridades é hipertrofiada, o mesmo ocorre com a outra, mas de modo inconsciente, o que pode causar um conflito psicológico que, em casos extremos, leva ao surto psicótico.
Esta ocorrência, que Jung tão bem estudou, foi transposta para as telas em um dos mais notáveis (e raros, dentro do padrão comercial hollywoodiano) filmes dos últimos tempos:Cisne Negro (Black Swan), de Darren Aronofsky, com a esplêndida Natalie Portman no papel da, inicialmente, frágil bailarina Nina.
No filme, Nina é uma bailarina dominada pela mãe frustrada e que faz de tudo parase destacar no corpo de baile. Assim, quando surge a chance de interpretar as gêmeas opostas de“O Lago dos Cisnes” , Nina se entrega totalmente ao projeto. Super controlada pela mãe, insegura, emocionalmente reprimida e sem amigos, Nina dedica-se exclusivamente ao balé, buscando uma perfeição exagerada que se reflete no controle exacerbado da alimentação e do controle do corpo que ela trata como instrumento a única forma de contato mais íntimo (e já sintoma neurótico da alienação que se estabeleceu entre o desejo consciente de perfeição e repressão dos sentimentos, que tentam gritar a partir do inconsciente) é a auto-mutilação que ela exerce inconscientemente sobre si mesma, por arranhões.
Pressionada por seu coreógrafo e diretor Thomas (Vincent Cassel), Nina será questionada, mais uma vez, a demonstrar suas capacidades, já que sua fragilidade ingênua - que é perfeita para o papel de Odette - comprometeria a interpretação deprotagonista de
“O Lago dos Cisnes” , pois Nina também deve desempenhar o papel daRainha dos Cisnes, Odile.
Nina, então, é desafiada pela própria vida, pelo seu próprio mundo, a entrar em um acordo com sua psique polarizada entre a"persona" consciente, o papel de menininha da mamãe, e a sua sombra: a mulher sedutora, violenta, que ela reprime no inconsciente. Nina é a atualização contemporânea da figura mítica de Perséfone: sua mãe é uma Démeter que tenta controlá-la e ver nela a bailaria que não foi e isso impede o desenvolvimento de Nina.
Logo ela terá de enfrentar as forças psíquicas represadas em si, seu próprio Hades: Nina precisa integrar, reconhecer-se em sua própria profundidade, sentir seus elementos aparentemente "negativos" se quiser atingir aperfeição (metáfora da individuação). Ela tem de desempenhar simultaneamente o cisne branco (símbolo da pureza e ingenuidade) e o cisne negro (metáfora para a malícia,sensualidade e maldade). Ou seja, Nina teria de unir, na prática, sua própria psique fraturada entre a “menina” meiga e passiva, cujo quarto é cheio de ursinhos de pelúcia, e a mulher que é/foi reprimida pela mãe e por ela mesma, Nina.O desafio da individuação,contudo, não é isento de perigos.
O Cisne Negro é, portanto, o desafio do encontro de Nina com sua própria sombra,ou, seja, segundo Jung, com todos os elementos que possuímos mas que são reprimidos,que não reconhecemos como sendo nossos. A questão da projeção interna no meio externo fica sugerida várias vezes pela presença de espelhos sempre presentes ante Nina.Sua maior rival no corpo de baile, a sensual e desinibida Lily, papel desempenhado pela brilhante atriz Mila Kunis, é ao mesmo tempo seu alter-ego, a pessoa que estimula a eclosão do "Cisne Negro" em Nina.
Na verdade, as duas belas bailarinas acabam sendo expressões de Odile o Odette ao nível da disputa real, embora, na mente conturbada de Nina, Lily acabe por apresentar traços mais fortes do que realmente possui.Está claro que Aronofsky em seu filme discorre sobre a fragilidade e o tênue equilíbrio da mente humana, bem como as forças que se desencadeiam no palco psíquico quando uma perturbadora ambição a move em busca de um sonho, mas o faz de uma maneira ao mesmo tempo cruel e poética, o que mexe com a psique da maioria das pessoas que assistem o filme,atingidas,inconscientemente,pelos elementos expostos e que repercutem na própria sombra, na própria polaridade consciente/inconsciente, na dualidade do bem/mal de cada um.
Na busca pela perfeição e na tentativa de provar a Thomas que é capaz de desempenhar o papel (e, inconscientemente, de integrar e expor seu lado mais selvagem),Nina é conduzida de tal forma pelo enredo e pela busca da perfeição que não consegue perceber que isso está liberando todo o seu mundo de elementos reprimidos, que explode de tal modo que ela já não consegue perceber mais os limites entre sonho e realidade.
Aos poucos, seu destino se sobrepõe ao enredo de “O Lago Dos Cisnes”
A música de Tchaikovsky, dramática e bela, é quase como uma expressiva contrapartida de sua metamorfose, elemento sonoro envolvente que "narra" e expressa a tempestade íntima de Nina, e que é indispensável à trama.A sombra de Nina, exemplificado pela essência de sua feminilidade, aflora e toma conta de sua personalidade sem que ela consiga controlá-lo.
Dá-se inicio a uma metamorfose que expressa aquilo que acontece com muitas pessoas que sucumbem
à emergência do material inconsciente pela psicose. No caso de Nina, vemos que talemergência conduzirá a protagonista a conflitos que a levam a um destino perturbador e extraordinariamente poético, apesar de trágico, numa interpretação arrebatadora de Natalie Portman.
O Filme “Cisne Negro” é uma aula de psicologia e cinema, de poesia dramática e filosofia, indispensável ao estímulo do pensar sobre a vida
Carlos Antonio Fragoso Guimarães
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Sombrios Corredores
Caminho...
Os corredores são sombrios, frios...
sem vida, sem cor, sem calor...
os corredores são longos, estreitados com a dor...
são longos mas não o suficiente para acolher a todos os pacientes...
os gemidos são ensurdecedores, amedrontadores como o silvo da serpente...
são gemidos de desespero, de dor, de sofrimento. É o uivo dos umbrais...
Lá de fora ecoam sirenes de ambulâncias, de viaturas de policiais...
sirenes de desespero, sirenes de esperança, serenes apressadas, angustiadas.
Lá de fora brotam cores de harmonia, de luz de amor...
cores trazidas pelas da esperança nesse momento de dor.
A saúde também agoniza junto com o paciente, exaurida...
as necessidades do paciente não podem ser supridas...
faltam condições mínimas de atendimento, de ungüento...
faltam médicos, profissionais burocráticos, enfermeiros...
falta tudo; e na falta de todos padece o doente.
A doença no Brasil é vexatória...
a doença torna-se constrangedora, predatória...
a doença faz do paciente uma vitima; vitima da falta de condições do sistema da saúde
Observo...
vejo a saúde padecendo juntamente com um amontoado enorme de doentes...
assisto a saúde enraizando-se como um privilégio de poucos...
vejo a luz da esperança carregada apenas pelas cores da utopia...
a saúde não existe... existe apenas uma maneira paliativa de assistência para alguns
poucos doentes em seu desatino...
O lixo hospitalar mistura-se aos escombros da dignidade humana...
Saúde é dejeto que não pode ser reciclável.
Saúde é bem precioso apenas nas empresas hospitalares.
Quando proporcionam lucros. Grandes lucros...
A mercantilização da saúde exclui aqueles que já foram anteriormente excluídos.
Exclui aqueles que já perderam a dignidade por um nada no mundo.
Lamento...
observo o ritual lento e aterrorizante de todos os envolvidos na saúde...
um ritual macabro feito de desalento e que piora a cada momento...
E observo a tentativa tênue de transformação dessa realidade
por um punhado de idealizadores...
Espectadores dessa vergonha intitulada sistema de saúde...
vergonha nacional tida como prioritária em qualquer planejamento social...
A realidade, a triste realidade é o escarro da podridão social na dor do dente.
A vergonhosa situação dessa realidade é a constatação odienta de que não existe
nenhum sistema de saúde no Brasil..
(Valdemar Augusto Angerami)
Patch Adams - O amor é contagioso

Não te amo como se fosses rosa de sal,
topázio, ou flechas de cravos que atiram chamas.
Te amo como se amam certas coisas escuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.
Eu te amo sem saber como, nem quando e nem onde.
Te amo simplesmente,
sem complicações nem orgulho.
Assim te amo porque não conheço outra maneira.
Tão profundamente
que a tua mão no meu peito é a minha.
Tão profundamente
que quando fecho os olhos, contigo eu sonho.
É assim que te amo
e nada mais me importa.
(Patch Adams - O amor é contagioso)
Um toque de: Psicologia Humanista
Martin Heidegger
A Psicologia Humanista fundamenta-se nos pressupostos da Fenomenologia e Filosofia Existencial; é centrada na pessoa e não no comportamento, enfatiza a condição de liberdade contra a pretensão determinista. Visa à compreensão e o bem-estar da pessoa não o controle. Segundo esta concepção, a psicologia não seria a ciência do comportamento, seria a ciência da pessoa.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Dicas de leitura para os caros visitantes - Grandes Mestres e suas teorias
Percepção e Linguagem
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Jung: um resumo

CARL JUNG E A PSICOLOGIA ANALÍTICA
Carl Jung desenvolveu uma teoria de psicologia complexa e fascinante, que abrange uma série extraordinariamente extensa de comportamentos e pensamentos humanos. A análise de Jung sobre a natureza humana inclui investigações acerca de religiões orientais, alquimia, parapsicologia e mitologia. De início, sua teoria provocou maior impacto em filósofos, folcloristas e escritores do que em psicólogos ou psiquiatras. Um dos principais conceitos de Jung é o da "individuação", termo que usa para um processo de desenvolvimento pessoal que envolve o estabelecimento de uma conexão entre o ego, centro da consciência, e o self, centro da psique total, o qual, por sua vez, inclui tanto a consciência como o inconsciente. Para Jung, existe interação constante entre a consciência e o inconsciente, e os dois não são sistemas separados, mas dois aspectos de um único sistema. A psicologia junguiana está basicamente interessada no equilíbrio entre os processos conscientes e inconscientes e no aperfeiçoamento do intercâmbio dinâmico entre eles.
Conceitos Principais
As Atitudes: Introversão e Extroversão
As Funções: Pensamento, Sentimento, Sensação, Intuição
Inconsciente Coletivo
Arquétipo
Símbolos
O Ego
O ego é o centro da consciência e um dos maiores arquétipos da personalidade. Ele fornece um sentido de consistência e direção em nossas vidas conscientes. Ele tende a contrapor-se a qualquer coisa que possa ameaçar esta frágil consistência da consciência e tenta convencer-nos de que sempre devemos planejar e analisar conscientemente nossa experiência. Somos levados a crer que o ego é o elemento central de toda a psique e chegamos a ignorar sua outra metade, o inconsciente. De acordo com Jung, a princípio a psique é apenas o inconsciente. O ego emerge dele e reúne numerosas experiências e memórias, desenvolvendo a divisão entre o inconsciente e o consciente. Não há elementos inconscientes no ego, só conteúdos conscientes derivados da experiência pessoal.
A Persona
A Sombra
Anima e Animus
É uma estrutura inconsciente que representa a parte sexual oposta de cada indivíduo; Jung denomina tal estrutura de anima no homem e animus na mulher.
Self
O self é o arquétipo central, arquétipo da ordem e totalidade da personalidade. Segundo Jung, consciente e inconsciente não estão necessariamente em oposição um ao outro, mas completam-se mutuamente para formar uma totalidade: o self. O self é com freqüência figurado em sonhos ou imagens de forma impessoal. É um fator interno de orientação, muito diferente e até mesmo estranho ao ego e à consciência. O self não é apenas o centro, mas também toda a circunferência que abarca tanto o consciente quanto o inconsciente; é o centro desta totalidade, assim como o ego é o centro da consciência.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
A Dangerous Method
A Dangerous Method: Jung, Freud e Spielrein

A sinopse divulgada pela distribuidora australiana Hopscotch Films - que detém os direitos sobre a peça - dá a entender que o filme se desenvolverá como thriller psicológico: "Uma bela mulher, elouquecida por seu passado. Um ambicioso médico com uma missão de vencer. Um estimado mentor com uma cura revolucionária. Que os jogos mentais comecem...".
O filme se passa no início da Primeira Grande Guerra em Zurique e Viena que "são o cenário para uma história sombria de descoberta sexual e intelectual", segundo a sinopse. "Escrito a partir de eventos reais, o filme é um vislumbre na turbulenta relação entre o inexperiente psiquiatra Carl Jung, seu mentor Sigumund Freud e Sabina Spielrein, uma perturbada e bela mulher que se coloca no caminho deles. Na trama entra Otto Gross (Vincent Cassel), um paciente pervertido que está determinado a passar dos limites".
As filmagens da obra começaram em maio deste ano, nas cidades de Viena, Zurique e Munique, e devem durar dez semanas. Embora sem data definida A Dangerous Method tem estreia está prevista para 2011
O filme contará com as atuações de Michael Fassbender (Bastardos Inglórios), como Jung; Viggo Mortesen (Senhores de Crime, O Senhor dos Anéis), como Freud e Keira Knightley (Piratas do Caribe), como Sabina Spielrein. A atriz alemã Katharina Palm fará o papel de Martha Freud enquanto a canadense Sarah Gadon emprestará sua beleza ao papel de Emma Jung. O ator Christoph Waltz (ganhador do Oscar de ator coadjuvante por Bastardos Inglórios) chegou a ser cotado para o papel de Freud, mas desistiu.terça-feira, 7 de dezembro de 2010
A importância dos sonhos - Ensaio sobre o inconsciente

Aquilo a que chamamos símbolo é um termo, um nome ou mesmo uma imagem que nos pode ser familiar na vida diária, embora possua conotações especiais para além do seu significado evidente e convencional. Implica algo de vago, desconhecido ou oculto para nós.
Assim, uma palavra ou uma imagem é simbólica quando implica alguma coisa além do seu significado manifesto e imediato. Esta palavra ou esta imagem tem um aspecto mais amplo, que nunca é definido de uma única forma ou explicado totalmente, nem podemos ter esperanças de defini-la ou explicar. Quando a mente explora um símbolo, é conduzida em direção a idéias que estão fora do alcance da nossa razão.
Por existirem inúmeras coisas fora do alcance da compreensão humana é que utilizamos freqüentemente termos simbólicos como representação de conceitos que não podemos definir ou compreender integralmente. Esta é uma das razões por que todas as religiões empregam uma linguagem simbólica e se exprimem através de imagens. Mas este uso consciente que fazemos dos símbolos é apenas um aspecto de um fato psicológico de grande importância: o homem também produz símbolos, inconsciente e espontaneamente, em forma de sonhos.
Há ainda certos acontecimentos de que não tomamos consciência. Permanecem, por assim dizer, abaixo do limiar da consciência. Aconteceram, mas foram absorvidos subliminarmente, sem o nosso conhecimento consciente. Só podemos percebê-los em algum momento de intuição ou por um processo de intensa reflexão que nos levem à subseqüente compreensão de que devem ter acontecido. E, apesar de termos ignorado originalmente a sua importância emocional e vital, mais tarde brotam do inconsciente como uma espécie de segundo pensamento.
Este segundo pensamento pode aparecer, por exemplo, sob a forma de um sonho. O aspecto inconsciente de um acontecimento é-nos revelado, geralmente, através de sonhos, onde se manifesta não como um pensamento racional, mas como uma imagem simbólica. Do ponto de vista histórico, foi o estudo dos sonhos que permitiu, inicialmente, aos psicólogos, a investigação do aspecto inconsciente de ocorrências psíquicas conscientes.
Fundamentados nestas observações é que os psicólogos admitem a existência de uma psique inconsciente, apesar de muitos cientistas e filósofos lhe negarem existência. Argumentam ingenuamente que tal pressuposição implica a existência de dois “sujeitos” ou, em linguagem comum, de duas personalidades dentro do mesmo indivíduo. E estão inteiramente certos: é exatamente isto o que ela implica.
Esta divisão de personalidades é, com efeito, uma das maldições do homem moderno. Não é, de forma alguma, um sintoma patológico: é um fato normal, que pode ser observado em qualquer época e em quaisquer lugares. O neurótico cuja mão direita não sabe o que faz a sua mão esquerda não é caso único. Esta situação é um sintoma de inconsciência geral, que é, inegavelmente, herança comum de toda a humanidade.
Aquele que nega a existência do inconsciente está, de fato, a admitir que, hoje em dia, temos um conhecimento total da psique. É uma suposição evidentemente tão falsa quanto à pretensão de que sabemos tudo a respeito do universo físico. A nossa psique faz parte da natureza e o seu enigma é, igualmente, sem limites. Assim, não podemos definir a psique nem a natureza. Podemos, simplesmente, constatar o que acreditamos que elas sejam e descrever, da melhor maneira possível, como funcionam.
No entanto, fora das observações acumuladas em pesquisas médicas, temos argumentos lógicos de bastante peso para rejeitarmos afirmações como “não existe inconsciente”, etc. Aqueles que fazem este tipo de declaração estão a expressar um velho misoneísmo – o medo do que é novo e desconhecido.
Sigmund Freud foi o pioneiro, o primeiro cientista a tentar explorar empiricamente o segundo plano inconsciente da consciência. Trabalhou baseado na hipótese de que os sonhos não são produto do acaso, mas que estão associados a pensamentos e problemas conscientes. Esta hipótese nada apresentava de arbitrário.
O Homem e os seus Símbolos
Rio de Janeiro, Ed. Nova Fronteira, 1987
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
O que é musicoterapia?

“Musicoterapia é a utilização da música e ou seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) por um musicoterapeuta qualificado, com um paciente ou grupo, num processo para facilitar e promover a comunicação, relação, aprendizagem, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes no sentido de alcançar necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas.
A musicoterapia objetiva desenvolver potenciais e/ ou restabelecer funções do indivíduo para que ele / ela possa alcançar uma melhor integração intra e / ou interpessoal e, em conseqüência, uma melhor qualidade de vida, pela prevenção, reabilitação ou tratamento.”
Como funciona?
A Musicoterapia só pode ser realizada por um profissional graduado em Musicoterapia. Ela não é uma terapia alternativa como muitos pensam!! É uma intervenção terapêutica não-verbal, cujo objeto formal de estudo é o comportamento sonoro do indivíduo.
As sessões podem ser individuais ou em grupo, uma ou duas vezes por semana; tudo irá depender do objetivo proposto para o processo terapêutico. Antes de iniciar o tratamento, o paciente irá passar por algumas etapas de diagnóstico como:
Entrevista inicial - onde obtemos informações para o tratamento sobre “a história sonora” do paciente e a “Queixa Principal”
Ficha Musicoterapêutica - onde colhemos dados sobre o mundo sonoro-musical do indivíduo, desde sua vida intra-uterina, suas preferências e recusas sonoras e musicais
Testificação Musical - onde colhemos dados da manifestação sonoro-musical do paciente (o paciente irá tocar ou manipular o instrumento como desejar e qual desejar)
Teste projetivo sonoro musical - onde verificamos a reação do paciente em relação a determinadas músicas / sons, com significados simbólicos pré- estabelecidos. Também avaliamos as capacidades e habilidades corporais, motoras e cognitivas do paciente antes de concluir o diagnóstico inicial.
A musicoterapia também trabalha interagindo com diversos profissionais como: psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, etc.
Quais as doenças que o método pode curar?
A Musicoterapia, sendo uma terapia complementar, pode tratar várias patologias exceto a eplepsia musicogênica.
Veja algumas aplicações da Musicoterapia:
Reabilitação,Psiquiatria,Geriatria,Obesidade,Depressão,Fobia,AnsiedadeStress,Patologias,Dificuldade de aprendizagem,Acompanhamento às mães e pais no pré-natal; método "mãe canguru",Estimulação essencial com bebês em escolas, creches e outras instituições,Atendimento em escolas para crianças com T.D.H (hiper-atividade),Atendimento a deficientes mentais e sensoriais;A.V.C. (derrame),Clínicas e hospitais na área da saúde mental,Assistência a deficientes em instituições de reabilitação,Empresas como prevenção, favorecendo melhor desempenho dos funcionários,Spas - auxiliando a redução de ansiedade.
Também serve para tratamentos psicológicos?
Sim, serve para tratamentos psicológicos. Porém nem sempre o foco é psicológico, vai depender da “queixa principal” do paciente.
Pacientes de qualquer idade podem fazer o tratamento?
Sim, podemos trabalhar com gestantes, bebês, crianças, adolescentes, adultos e 3ª idade.
Quanto tempo leva cada tratamento? É feito com medicamentos, dependendo do caso?
Cada tratamento é único, ou seja, o tempo de tratamento só irá depender do retorno que o paciente der ao musicoterapeuta nas sessões. Quanto à pergunta se o tratamento de musicoterapia é feito com medicamentos, a resposta é Não! O musicoterapeuta não está autorizado nem habilitado para medicar, se o paciente tiver que fazer uso de medicação deverá ser receitado por seu médico.
Cláudia Drezza Murakami
Tão Longe, Tão Perto...
Com um abismo longo-capataz
Engana minha sorte
Perco o ponto-norte atrás das nuvens cinza
Embuste
Escondido, perdido, iludido
Refém da espreita enrustida
Furtiva
Carniceiros na ronda
Entrega quase certa
Saudade viva e fria
Embebido
Flambado de amor e dor
No fogo que queima alma
Que arde no peito esse amor
Tua presença é vida de verdade
Longevidade no oito infinito
O caminho sem linha de chegada
Cruzada do amor, Mundo mais bonito
Tua presença é minha reta
Minha predileta, Minha dieta
A menor distância entre dois pontos
Sou eu e você, beijo e prazer
Embebido
Flambado de amor e dor
No fogo que queima alma
Que arde no peito esse amor
Daniel Bueno/Thiago Nassa
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
O Ser da Compreensão: Fenomenologia da situação de psicodiagnóstico.

O mundo humano é essencialmente mundo da coexistência. O homem define-se como ser social e o crescimento individual depende, em todos os aspectos, do encontro com os demais.
A psicoterapia, seja qual for a teoria em que se apóia, consiste precisamente em reaprender a lidar com os demais, mediante a interação com o Outro, no caso de terapia de grupo.
Mesmo sem a presença do outro, o ser no mundo é ser com os outros. Estar só é estar privado do outro, num modo deficiente da coexistência, que constitui uma das estruturas do ser no mundo. O conhecimento do outro, pois, supõe a compreensão da existência como ser da coexistência. A relação ontológica como o outro se torna então uma projeção “dentro do outro” da relação ontológica de si para si. “O outro é um duplo si”.
O outro fornece um modelo para construção da imagem de si. Por ser outro, contudo ele também revela que a imagem de si comporta uma parte igual de alteridade.
A ambigüidade da compreensão do outro, que se origina na compreensão do desconhecido que cada um é para si, revela-se em todos os relatos míticos. Todo mito fundamente-se em todos os relatos míticos. Todo mito fundamente-se na duplicidade do mundo, definido como real e irreal ao mesmo tempo. A abordagem mística consagra, mas não resolve o problema da duplicidade. Até a imagem da transcendência assume a dualidade, quiçá a multiplicidade. “O homem é em sua estrutura homo duprex”.
Já a questão do reflexo propõe a existência de um duplo imaterial, idêntico e, contudo inverso.
O tema da dupla personalidade foi excelentemente ilustrado por Otto Rank, que atribui a origem do conceito de alma ao reconhecimento do reflexo. Já Borges aponta para outra fonte do homem duplo: o sonho. Espelho e sonho trazem a vida seres que não existem, e assim fazem o sonhador e o refletido incorrerem em terrível pecado, pois só Deus pode criar seres. O espelho revela-se em sua função Mágica.
Enquanto o espelho cria a imagem, o sonho inaugura o reino do imaginário. O estado de sonho seria contemporâneo de certo nível de complexidade neurológica, acompanhado até mesmo o desenvolvimento do sistema nervoso central. “Jouvet sugere que o feto já sonha”.
O espelho é a porta para visão do outro mundo. O sonho permite a atuação do individuo dentro daquele mundo, movimenta-se, armado cenários e participando em todos, os níveis do fantástico. “O sonho é o teatro onde o sonhador é ao mesmo tempo o ator, o palco, o ponto, o regente, o autor, o público e o crítico”.
Dentro da perspectiva fenomenológica, o significado do sonho está na própria elaboração do relato, entendido como obra do sonhador, retratando a sua realidade. Nesse sentido, Jung situa-se bem próximo a tal colocação. “o sonho é aquilo que é; inteiramente e unicamente aquilo que é; não é uma fachada, não é algo pré-arranjado, um disfarce qualquer, mas uma construção completamente realizada”.
Jung se apoderou do conceito, dando-lhe novo significado e, sobretudo, nova amplitude, já que postula a existência de um consciente comum a todos os homens, e que pode ser alcançado mediante a análise das imagens arquetípicas, chega, porem, a paradoxal conclusão de que não existe conteúdo de consciência que de outro ponto de vista não seja inconsciente. O sonho não é absurdo e nem confuso, confuso é o entendimento do interprete. A ambigüidade não se deve apenas a uma possível limitação intelectual, ou a uma dificuldade intrínseca de abranger a totalidade do real. Prende-se também a causas existenciais.
O sonho denuncia a continuidade e a espessura da vida de vigília, as figuras que nele aparecem, os acontecimentos que se processam, podem ser então considerados como personificações do sonhador, que se revela a si próprio como ser duplo. Jung aponta, por exemplo, a figura da anima, como expressão necessária do outro, para o individuo masculino: “aquilo que não é eu, quer dizer, aquilo que é masculino, é bem provavelmente
feminino, e como o não eu é experimentado como não correspondente ao eu é experimentado como não correspondente ao eu, e portanto como exterior, a imagem da anima é por conseguinte projetada em regar geral sobre mulheres”.
As etapas do processo de individualização, descrita por Jung sobre a forma do encontro com figuras arquetípicas, revelando-se através dos sonhos.
Pode se dizer que, para Jung, cada vez que for negado o fato de que o individuo é ao mesmo tempo uno e múltiplo, abre-se caminho da neurose.
Neste sentido, a função do sonho é precisamente apontar para a realidade. Jung chega a considerar a Máscara – alcunhada pelo seu nome latino de persona como aspecto intrínseco da personalidade.
A máscara aponta para mais uma faceta da duplicidade. O estudo das mascaras utilizadas pela sociedade, ditas primitivas revela uma dimensão oposta, a de encarnar o irreal para integrá-lo na vida diária do grupo. A interpretação das máscaras não se encontra, portanto muito afastada da interpretação dos sonhos, as máscaras são sonhos fixados. “ponha a máscara e te direi quem é... o existir mascarado afirma a duplicidade, assumindo-a”. O desejo de possuir outro rosto expressa novo registro de ambigüidade. É que entre os seres sobrenaturais que os mascarados evocam estão os espíritos dos mortos.
Poder se ia dizer também que a morte é o outro absoluto, é o outro irremediável presente dentro do ser. A única certeza do vivido, a delimitação do seu horizonte temporal.
A psicologia clinica instaurou o culto dos sonhos através da consagração da psicanálise. Observa-se, no entanto que se grande parte da atuação psicoterápica se dedica a interpretação do conteúdo dos sonhos, pouca ação é tributada a própria situação do sonho, como fonte de reconhecimento da ambigüidade existencial. A capacidade de assumir a própria morte dando-lhe significação poderia, portanto ser considerada como parâmetro de avaliação da capacidade de integração da adaptação a realidade. Neste sentido, a assunção da própria morte seria critério de saúde psíquica.
Minkowski insiste sobre o caráter catastrófico irreparável e da loucura. Em certos aspectos aparenta-se ao fenômeno da morte, mas dela difere por ser um acontecimento não necessário. Para a fenomenologia, não há entre o normal e o louco uma diferença de grau, mais sim diferença de natureza.
A loucura manifesta uma ruptura dentro da existência, para a psicopatologia de orientação fenomenológica não se trata do individuo doente, mais do ser diferente. Daí a importância de analisa-se o dinamismo dos percéptos. A contradição entre as informações permite então elaborar um diagnostico mais fiel a realidade, e mais útil para o cliente do que o mero rotulo formal.
Para receber o outro em sua multiplicidade, é preciso aceitar-se como outro. A angustia recorrente da revelação da ambigüidade existencial, fundamentada que está na especificidade real-irreal humana e apoiada na difícil aceitação da realidade para a morte. Mais uma vez o enfoque existencial, sem chegar a ser uma panacéia pode constituir um remédio eficaz contra o psicologismo, ajudado a valorizar a originalidade do individuo. Alteridade e transformação são ao mesmo tempo superadas e expressas através da obra: a fala, a mais geral de todas as obras do homem, e a obra de arte, através da qual o homem a si mesmo se cria e transcende.
"Monique Augras"
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Me atiro Me Atento
Adormecida no entardecer dos dias
Me atiro, me atraio pelo desatino matino do destino conduzido em pequenas
Doses de insight...
Amigos loucos aos poucos, Cartas, poemas, pouca bebida... Onde estará a terra prometida?
Entre tantos conceitos e idéias desvairadas do meu eu, lhe apresento o tentar!
Ao tentar, você se compromete locomover seu instinto puro e fiel do seu eu iminente. “
Daniel Bueno